Assim
como Deus, que é uma tri-unidade, o ser humano por ser a imagem e semelhança de
Deus (Gn 1. 26,27), também é um ser trino, composto de alma, corpo e espírito.
Paulo deixa isso muito claro quando escreve acerca da santificação ao dizer: “o mesmo Deus de paz, vos santifique em tudo.
Todo vosso espírito, alma e corpo sejam conservados irrepreensíveis para vinda
de nosso Senhor Jesus Cristo” (I Tss 5. 23).
Há
doenças que são de cunho inteiramente espiritual. Essas doenças são denominadas
biblicamente de pecados, ou de iniquidades. Outras doenças estão ligadas ao
corpo físico, denominadas de doenças físicas. Mas muitas doenças são doenças da
alma, que estão ligadas ao coração, às emoções, à psique. São doenças do
interior, denominadas de enfermidades psicológicas.
Essas
doenças muitas vezes são consequências de nossos pecados, da nossa rebelião
contra a vontade de Deus. Uma pessoa distante de Deus, vivendo segundo a carne,
em conformidade com as trevas, não tem condições de ter paz com Deus e nem
consigo mesmo. Pois o pecado não é apenas anti-divino, ele também é
anti-humano. Ele é uma transgressão contra Deus, mas também é uma transgressão
contra a nossa própria humanidade. E quando ferimos a Deus, entristecendo ao
seu Espirito, também ferimos a nossa alma, tirando nossa paz interior (Jó 9. 4).
Mas
o oposto também é verdadeiro. As doenças emocionais às vezes terminam nos
conduzindo a pecar contra Deus. Um coração amargurado, ferido e decepcionado,
que não consegue perdoar, termina por anular a graça de Deus em nossa vida,
afastando-nos do amor do Pai Celestial.
Um
exemplo do que estou falando pode ser ilustrando por uma história contada pelo
Dr. João, um experiente conselheiro. Contou-me que Joana, uma moça
recém-casada, feliz e inteligente, esposa de um jovem dedicado ao seu trabalho,
foi informada por amigos que estava sendo traída pelo seu marido. Ele, por
causa do seu trabalho passava até duas semanas sem vir em casa. Mesmo sem ter
certeza, mas por causa dessas informações, Joana foi acumulando em seu coração
dúvida, indiferença, ressentimento e desejo de vingança. Por causa desses
sentimentos, com a intenção de vingar do seu marido, terminou se envolvendo em
uma relação extraconjugal. Poucos dias depois o marido ficou sabendo,
provocando grande desavença e discussões entre o casal. Contudo, o marido decidiu
mediante os conselhos do pastor João, perdoá-la. Mas ela não conseguiu perdoar
a si mesmo. Pois além do seu pecado, originado das más informações e do acúmulo
de sentimentos negativos, descobriu que o seu marido de fato nunca a havia
traído. Isso terminou lhe afastando da
comunhão com Deus e comprometendo sua relação com a igreja. Mesmo sabendo do perdão do seu esposo, ela
não conseguia ter paz. Foi assaltada pelo sentimento de culpa, de fraqueza e de
depressão.
É
isso que acontece, as pessoas, até mesmo cristãs, por não viverem plenamente o
fluir da graça de Deus e por não vigiarem, vão, às vezes, despercebidas,
acumulando toda sorte de “lixo”, como medo, ressentimento, magoa, ódio, culpa e
outros sentimentos negativos, pensando que isso não vão lhes prejudicar. Mas,
como um câncer, vai destruindo as células dos nossos sentimentos, influenciando
as nossas emoções, distorcendo a nossa imagem, afetando os nossos
relacionamentos ao ponto de comprometer a nossa comunhão com Deus.
Por
isso que as doenças do homem interior são altamente perigosas. Segundo Daniel
Belgum, 75% das pessoas que se encontram internadas em hospitais com enfermidades
sofre de problemas que tem origem em problemas emocionais[1]. É denominada pela
psicologia de doenças psicossomáticas[2]. São doenças que se
manifestam no corpo, mas que estão diretamente ligadas à alma. Por isso que uma
alma doente é pior que um corpo doente. Um coração ferido é mais perigoso que
um corpo ferido. Por que um coração fragilizado, fragiliza nossa mente, nosso
corpo e nossas relações.
Assim
como as doenças físicas, as doenças do homem interior nos deixam fracos, sem
ânimo e sem força. Esse é de fato o significado de doença e de enfermidade na
Bíblia. O termo doença e enfermidade, no Antigo Testamento, significa
etimologicamente “estar fraco”. Já no
Novo Testamento significa fraqueza, moleza, fragilidade e debilidade.
No
entanto, Deus quer-nos fortalecer por meio de sua graça (II Tm 2. 1). Quer-nos
cura integralmente. Ele deseja que sejamos conservados irrepreensíveis de
corpo, alma e espírito. Jesus morreu na cruz, levando sobre si as nossas dores
e todas nossas enfermidades para prover-nos de saúde integral (Is 53. 4,5). Ele
está pronto não apenas para perdoar os nossos pecados, mas também para sarar
todas as nossas enfermidades, inclusive nossos traumas, medos, ansiedades,
complexos, patologias e demais doenças que atingem nossa alma. Não é isso que
Davi canta no Salmo 103? Observe o que ele diz para sua própria alma: “bendiz, ó minha ao Senhor; e tudo o que há
em mim bendiga o seu santo nome. Bendiz, ó minha alma ao Senhor e não ti
esqueças de nenhum dos seus benefícios. É ele quem perdoa todas as tuas
iniquidades, e quem sara todas as tuas enfermidades”.
O
verbo sarar, juntamente com as suas variantes, que aparece nas Escrituras por
106[3], significa costurar,
consertar, restaurar e fortalecer. E Deus está pronto para costurar nossas
vestes espirituais que foram rasgadas. Ele quer consertar o que está quebrado
em nosso coração. Ele deseja restaurar os muros da nossa emoção. Ele quer nos
fortalecer em sua graça. Por isso que Ele
mesmo se apresenta como: “Eu sou o Senhor
que ti sara” (Ex14. 26).
Portanto,
em primeiro lugar, Deus deseja nos sarar espiritualmente. Quando se fala em
cura espiritual diz respeito ao perdão de nossas iniquidades, fala da
purificação de nossos pecados pelo sangue de Jesus Cristo, do cancelamento da
nossa dívida espiritual para com Deus por meio de seu próprio Filho (Col 2. 11
– 15). É um processo que acontece por meio da fé, mediante ao arrependimento e
confissão (At 2. 38; 3. 19; 16. 31, Pv 28. 13). Em resumo: a cura espiritual fala
da salvação em Cristo, pela graça, por meio da fé (Ef 2. 8). Fala
essencialmente de perdão. Pedro vaticinou: “arrependei-vos,
pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados” (At 3.
19). Deus decidiu nos perdoar. Deus deseja nos dá saúde espiritual.
Já a
cura interior trata das enfermidades da alma. É a cura do homem interior. A
cura da alma, da mente, das lembranças desagradáveis, dos sonhos não
realizados, dos traumas, dos complexos, das patologias, das decepções
interiores, das feridas do coração. Cura
Interior significa lançar para longe o jugo das más lembranças, das memorias
que nos perturbam, que nos tiram a paz, que provocam angustias, depressões,
psicoses e até esquizofrenia. É deixar a luz de Jesus brilhar nos recontos escuros
da nossa memoria, das recordações dolorosas, removendo a dor e o aguilhão. É a
saúde dos nossos sentimentos e da nossa mente. De acordo com Betty Tapscott,
pode ser descrito apenas com uma palavra: PAZ[4]. Paz de espirito. Paz na
alma. Paz em Cristo. Paz mesmo em aflições (Jo 16. 33).
Texto extraído do livor do Pastor Joventino Barros Santana, que será publicado em breve.
[1]
Citado por David A. Seamands, em “Cura para os Traumas Emocionais”. Pagina 34.
[2] De
acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe “a expressão ‘entranhas de
misericórdias (Cl 3. 12) enfatiza a relação entre o psyche (alma) e soma
(corpo), o que tem sido corroborado pela pesquisa psicossomática” (pag 575).
[3]
Conforme a Concordância Bíblica Exaustiva Joshua, terceiro volume, página
719.
[4] Em
Cura Interior, pagina 20.
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